terça-feira, 29 de março de 2011

Estudante vítima de Racismo no Rio Grande do Sul








Não tenho nada a dizer
Isso tudo me revolta
Isso tudo me entristece
A dor é coletiva
A dor é ancestral
Me traz a lembrança de outrora
Arranca de mim de forma cruel o sentimento de liberdade

Onde estão que não nos escultam?
Onde estão que não nos protegem?
Meu grito não é ouvido?
Admita.
Isso faz parte de você
Pátria armada que nos agride
Rosto branco que me olha
Que me mede

Devolva aquilo que é meu
Leve de volta a sua ira
Isso que corre nas minhas veias são resquícios de realeza
Respeitem meus cabelos, brancos
Não me entregarei a nenhum momento
Não abaixarei a minha guarda
Não tirarei os meus ancestrais da minha vida
Carregarei até a morte o exemplo das mulheres negras guerreiras que nunca se deixaram abater

E na sua cara cuspirei,
Escarrarei,
A imagem real do que é a minha imensa liberdade

Lágrimas de um Menino Negro (ou a sombra da maldade tem cor)
Por Fafá M. Araújo

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